SODOMIA











  Hoje vamos publicar um trecho do Livro Sob os olhos da Clarividente chamado "SODOMIA"


S O D O M I A

         Raramente a Clarividente me conta algum caso de seus clientes. Um dos pontos altos do atendimento aos que nos procuram é a discrição. Pessoas vão e vêm, passam dias ou anos vivendo entre nós, e a gente só fica sabendo de seus problemas íntimos se elas mesmas nos contarem. Assim mesmo, o desinteresse é tão grande, que a gente logo esquece o assunto. Graças a Deus, aprendemos a amar as pessoas como elas são, e sabemos respeitar a privacidade de cada um. Nesse dia, porém, o caso daquele homem chegou até mim. Neiva já havia atendido a umas cinqüenta pessoas, quando parou para tomar um ligeiro lanche.
         - Mário, – disse ela – você reparou naquele senhor de cabelos grisalhos, a quem eu atendi?
         - Sim. Notei-o por sua aparência de pessoa fina, educada.
         - Pois é, Mário, é um caso muito triste. Estou mais triste ainda por não poder ajudá-lo muito.
         - Qual o problema dele?
         - Homossexualismo.
         - E não tem remédio, Neiva?
         - Não, Mário. Ele chegou muito tarde. Já está com quarenta anos, e só lhe resta resignar-se com seu triste fardo. O que se pode fazer por ele é lhe dar forças, ajudá-lo a carregar sua cruz até o fim.
         - Neiva, gostaria que esclarecesse melhor esse assunto. Tenho lido muito a respeito, e sei que é muito complexo. Gostaria de saber suas causas reais. Serão espirituais?
         - Às vezes sim, às vezes não! Há inúmeras causas para o homossexualismo, mas, na maioria, oriundas da má orientação paterna. Mas, sejam de origem transitória ou transcendental, o remédio é a intervenção oportuna, tanto na cura médica como na cura espiritual. O período ideal para intervir é entre os sete e os dezoito anos, embora possa haver cura mesmo depois dessa idade. Tudo depende do estado do paciente e das várias particularidades de cada caso. Vou contar a estória do Cabeça Grisalha – vamos chamar assim o nosso paciente – e você irá entender parte disso. Aos vinte anos, ele se apaixonou por uma jovem, com mais ou menos a sua idade, mas teve medo de ser impotente, pois nunca havia sentido atração sexual. Embora se preocupasse muito com o problema, tinha idéias tão falsas a respeito que só o sentiu, mesmo, quando começou a amar e pesou a responsabilidade. O fato é que, preocupado, não prosseguiu na corte, e a moça, alguns meses depois, se casou com outro. Ele entrou em estado depressivo, e começou a beber. Embriagava-se constantemente, e chegou ao ponto de perder a consciência do que fazia nesse estado. Várias vezes tentou o suicídio, sem conseguir seu intento. Inexoravelmente, foi se entregando às práticas anormais, e se tornou escravo da homossexualidade. Procurou a Psiquiatria, a Psicanálise, e, até mesmo, tentara se converter a uma religião, tudo sem resultados. Eu era sua última esperança. Enquanto ele falava, em tom angustiado, Mãe Etelvina me mostrava seu quadro, numa espécie de tela de cinema. Diante dos meus olhos, foram aparecendo cenas de Sodoma e Gomorra. Eram cenas degradantes de práticas sexuais bizarras. Pude ver pessoas de alta categoria social se entregando às práticas bestiais, sempre prevalecendo a exploração dos poderosos contra os menos afortunados. Na repetição dos enredos se notava o assassinato como a última etapa da sanha animalesca. Mediante uma técnica, para mim incompreensível, fui percebendo o que se passava com as vítimas daquele inferno físico e moral. Os espíritos desencarnavam com tanto ódio que, rapidamente, se transformavam em ovóides.
         - Ovóides, Neiva? O que é isso?
         - Ovóide, Mário, é o nome que André Luiz deu a essa forma de licantropia. Na linguagem da Corrente Indiana do Espaço, ele se chama “lotum”. Nele há uma tal concentração de ódio, que a mente plasmadora não mais atua e, por ditames da Biologia Etérica, ele toma essa forma.
         - Biologia Etérica, Neiva? Acho melhor você simplificar um pouco isso!...
         - Cada plano tem sua própria legislação, sua forma de vida, embora os princípios sejam os mesmos para qualquer plano. O mesmo se passa na Biologia do nosso plano. O equilíbrio biológico se faz de maneiras diferentes no mar, na terra e no ar, embora os fatores básicos sejam sempre os mesmos. Cada um desses planos, na Terra, tem sua própria morfologia, de acordo com o meio-ambiente. Variam, pois, as formas, embora elas todas pertençam à cadeia do transformismo. No caso dos ovóides, esta é a forma mais simples que um espírito pode tomar depois de uma encarnação. E não é só a forma que importa, mas, também, a concentração dos princípios vitais, como no ovo das aves, dos répteis, etc. Os espíritos ovóides são os mais comuns no mundo invisível que nos cerca. Eles enxergam e ouvem, num raio de dois metros em torno deles. Sua capacidade de aderência é espantosa. Por invisíveis mecanismo de ódio, eles aderem ao encarnado, e provocam os mais variados sintomas de moléstias, em sua maioria de ordem convulsiva. A esses espíritos se devem doenças como labirintite, meningite, deformações da coluna, disritmia e inúmeras formas de distúrbios mentais e neurológicos. Sua aderência se faz de duas maneiras: por compressão e por vampirismo. Atuam como corpos estranhos no organismo e, ao mesmo tempo, como sanguessugas, alimentando-se de nutrientes nobres do organismo, como hormônios e plasmas sutis. Aqueles espíritos desencarnados naquela era remota tomaram, pois, a forma ovóide, e ficaram, durante alguns milênios, esperando a reencarnação apropriada de seus algozes, que lhes dariam o momento das cobranças. Naturalmente, a situação deles não residia, somente, no episódio de Sodoma e Gomorra, e sim sempre em situações semelhantes de abusos de um ser por outro. O quadro se modificou, e vi nosso Cabeça Grisalha na figura de um francês, abusando de um jovem e, depois, jogando-o numa infecta prisão, habitada por criminosos sexuais, espíritos atuados por falanges de verdadeiros demônios. Terrivelmente maltratado, o rapaz desencarnou, e seu ódio era tanto, que ele se transformou num ovóide, tendo aderido aos órgãos sexuais do nosso amigo quando este completou sete anos, momento em que se apagou sua mediunidade, nesta encarnação.
         - Como assim, Neiva?
         - A criança é um médium, isto é, tem sua mediunidade aberta até os sete anos, e isso é sua defesa. A partir dessa idade, sua energia mediúnica se concentra no seu crescimento físico. No caso presente, aquele seu cobrador, naturalmente com a permissão de Deus, se instalou, aderindo-se ao aparelho genital do Cabeça Grisalha, que passou, sem o saber, a candidato à impotência a à sodomia. Se ele tivesse recebido melhor atenção de seus pais, dos professores e das pessoas que o cercavam, tanto seu aspecto físico como seu comportamento teriam denunciado a anormalidade. Mas aí entram, justamente, dois fatores que são decisivos nesse processo: o carma e a superstição social. Pela sua faixa cármica, tudo desfavorecia ele. Os olhos da pessoas que o cercavam viam-no, mas não o enxergavam, e seu temperamento retraído o levava a práticas solitárias e insólitas. É por isso, Mário, que o ser normal se evidencia e sempre reclama seu lugar na sociedade. A criança, quando é sadia, chora bem alto, para garantir sua alimentação, e assim são todos os seus atos subsequentes. A primeira anormalidade que deveria ter sido notada no Cabeça Grisalha era justamente essa, de introspeção, timidez excessiva e ares de geniozinho solitário. A ausência de uma educação sexual sadia e a presença atuante da educação deformada completaram o serviço. No lugar da manifestação sexual normal, condizente com cada etapa do crescimento, o nosso amigo mergulhava, cada vez mais, na anormalidade. A aversão por meninas, seguida pela etapa de apaixonamento fácil, é um importante sintoma de normalidade. Enfim, todas as manifestações da puberdade e da adolescência, tão bem conhecidas dos psicólogos, são marcos importantes pelos quais a pessoa pode detectar uma anormalidade.
         - E como atuava o ovóide em nosso amigo?
         - Pela absorção de sua produção hormonal. Se a razão desse reajuste fosse outra, ele poderia ter aderido, por exemplo, na coluna vertebral, onde absorveria outros plasmas, e a anormalidade seria de outro tipo. A gente pode perceber, então, que não se tratava de uma anormalidade congênita, isto é, algo que ele já trazia da formação fetal, a não ser considerado como seu carma. Sim, como carma, ele era candidato a isso.
         - E se houvesse alguma intervenção, se o fato tivesse sido notado, isso neutralizaria o carma?
         - Em parte sim, Mário. Se ele tivesse recebido atenção, seria um sinal de que seus Mentores encontravam acesso indireto a ele. Assim é a misericórdia divina. Ninguém é totalmente condenado. Sempre existe um jeito, embora esses jeitos dependam do delicado balanço da Contabilidade Sideral de cada ser humano. Mas se houvesse, digamos, apenas um cuidado educacional, sem qualquer consideração espiritual, seus pais e seus circundantes atuariam na sua psique e ele se defenderia melhor. Cuidados clínicos proporcionariam o equilíbrio hormonal e ele consolidaria seu mecanismo sexual. Devido à falta disso, o seu ovóide obsessor absorveu toda, ou quase toda, energia hormonal e seu sistema psicofísico sexual ficou irremediavelmente perdido. Daí para a sodomia foi o passo mais lógico. Se ele fosse ainda mais afortunado e tivesse recebido cuidados mediúnicos, teria, então, compensado a alimentação hormonal. Seu cobrador, embora realizasse a cobrança, o reajuste, o faria com menores danos.
         - Mas, Neiva, esses ovóides são passíveis de afastamento pela mediunidade?
- Mário, o afastamento só existe quando se completa o equilíbrio, quando há o refazimento total do prejuízo sofrido pelo espírito cobrador. Na verdade, no caso dos ovóides, o problema é de difícil solução mediúnica. Para que haja completa solução na obsessão ovoidiana, é necessário a capacidade mediúnica astral, isto é, médiuns que tragam o contato efetivo dos Médicos Espirituais ao paciente. Na Corrente Indiana nós temos essa força e muita prática. Na verdade, Mário, a maioria das curas que são feitas no Templo do Amanhecer são cirurgias de ovóides. Essa operação é possível em nossa Corrente porque ela, na sua universalidade, pode cuidar desse ovóide e retornar-lhe a forma normal. Sem o seu afastamento cirúrgico, é muito difícil, senão impossível, sua recuperação. Isso devido à intimidade que se estabelece entre o ovóide e o paciente. Há casos, mesmo, em que o ovóide não pode ser retirado, porque o paciente pode desencarnar, tão perfeita já é sua simbiose. E não é só isso: o preço do tratamento do ovóide obsessor é pago pelo próprio obsidiado!
         - Como? Não entendi bem...
         - Sim, Mário, a Corrente Indiana não só opera o paciente como, também, lhe oferece a oportunidade de desenvolver sua mediunidade, trabalhar e obter bônus-horas necessários para pagar seu cobrador. Sim, meu caro, esse é um ponto essencial de um verdadeiro trabalho crístico. Não é só curar um paciente. Isso nada resolve, pois a simples cura não paga seu débito, não equilibra seu carma. Mas, curando-o, a gente o coloca em posição de entender o processo cármico e atender à demanda mediúnica. Ele trabalha, e paga por sua libertação. É por isso que, raramente, dá certo uma cura espiritual sem a complementação doutrinária. O paciente sai curado, o ovóide volta ao estado normal de um espírito desencarnado, mas tem que pagar por sua libertação. Então, busca de novo o seu antigo devedor e lhe cobra de alguma forma. O destino provável de um paciente de um câncer (que é um caso semelhante ao ovóide) é ser assediado por outras formas de sofrimento, às vezes piores do que seu câncer original, se não houver sua complementação harmônica com o mundo invisível.
         - Bem, Neiva, creio ter entendido o que se passa no caso de ovóide. Entretanto, o problema é bem mais extenso. Há o caso das mulheres. Elas, também, são passíveis de sodomia?
         - Sim, também as mulheres têm problemas nesse sentido, só que em menor quantidade, pelo menos na manifestação homossexual. Predomina, porém, a questão educacional. As mulheres são muito mais afetadas pelos preconceitos. Talvez pela posição de relativa passividade no intercâmbio e pela predominância da tônica reprodutiva na sua existência. Poderíamos dizer que a maternidade supera o sexo, ou melhor, predomina sobre o sexo. E quanto à religião, é uma faca de dois gumes. Se, de um lado, traz um comportamento moral, por outro traz a má interpretação dos fatos naturais. Em todo caso, creio que o balanço ainda é favorável à religião. Sem ela, as manifestações sodomitas seriam mais numerosas com a liberdade social. Talvez a prisão moral-religiosa seja mais dolorosa, faça com que o indivíduo sofra mais. Mas será sempre menor o número de indivíduos anormais, isolados nos seus complexos. Já a atitude liberal, não religiosa, tira o sentido verdadeiro de anormalidade, para conceituar a sodomia quase como uma coisa normal. Haja visto a notícia que a gente tem de classes, ajuntamento de sodomitas e, até mesmo, casamento entre homens, como os jornais noticiam de vez em quando. Não, Mário, é preferível a tirania religiosa!