Instruções Práticas para os Médiuns-Fascículos 07



Instruções Práticas para os Médiuns
Fascículos 07


ÍNDICE
Item
Assunto
Pág.
-
Índice
1
-
Prefácio do Fascículo VII
2
1
A Mente
3
2
A Função da Mente
3
3
A Razão
4
4
O equilíbrio
5
5
A Consciência
6
6
O Raciocínio
6
7
A Personalidade
8



PREFÁCIO DO FASCÍCULO VII


                   Caro Médium e Leitor:

                   A partir do Fascículo VI entramos na fase Iniciática de nosso aprendizado. Com a descrição do "Sol Interior" e seu "Sistema Coronário", demos a infra-estrutura do Homem trino, três em um.

                   De agora para frente vamos entrando no mecanismo humano, no seu funcionamento e, na medida em que forem surgindo as muitas facetas, daremos a interpretação delas; isso fará com que retornemos com freqüência às bases do Sol Interior e aos mundos coronários.

                   Apesar da complexidade do assunto os Médiuns encon­trarão maior facilidade para entender. Isso porque eles já fazem parte de nossa vivência no Templo do Amanhecer, e os Médiuns não dependerem exclusivamente do mecanismo psicológico para sua compreensão.

                   O leigo que nos lê terá maior dificuldade devido a falta do instrumento mediúnico. Por isso sugerimos o afastamento momentâneo do raciocínio puramente cartesiano e maior foca­lização no mecanismo intuitivo, Iniciático.

                   A linguagem deste ensinamento é parte do vocabulário tradicional de nossa cultura - porém, a maioria das vezes com conotações diferentes. É preciso pois que o leitor atento pro­cure mais o sentido da frase e menos a exatidão. Não se pode ser muito sintético em tais assuntos e muito menos preciso.

                   Assim, por exemplo, ao falarmos dos átomos, estamos mais interessados em transmitir a idéia geral de sua mecânica do que essa mecânica em si. Isso é do domínio técnico dos cientistas, motivo pelo qual pedimos desculpas ante­cipadas pelas irreverências à Ciência.

                   Outras imprecisões resultam da dificuldade em se con­verter para denominadores comuns, coisas que não fazem parte do quotidiano e cujos conhecimentos têm sido sempre de indivíduos isolados ou de pequenos grupos da Sociedade.

                   Feita essa ressalva vamos prosseguir, entrando agora em maiores particularidades do mecanismo humano.













                   1  A Mente


                   A palavra "mente" tem um largo espectro de significados, em sua maioria num sentido abstrato, sempre porém se re­ferindo a algo que possuímos, alguma coisa que faz parte da nossa Alma e, vagamente, de algo que está dentro de nossa cabeça. Sempre que falamos de mente tendemos a levantar a mão em direção a cabeça.

                   Na linha de nosso ensinamento, a mente é um campo de energias concentradas a que chamamos de "Energia Mental". Seguindo-se o mesmo raciocínio da estrutura e funcionamento do átomo, o campo energético da mente é limitado em torno de uma massa densa, nuclear, ao redor da qual os mecanismos psicológicos giram como satélites.

                   Esses satélites são os instrumentos da vida mental, e suas categorias vão desde o sistema sensorial até a capacidade de abstração. Seu funcionamento é pulsativo em torno do seu núcleo. Ela recebe e transmite impulsos de diferentes gamas vi­bratórias, conforme a sintonia em que é colocada pela vonta­de. Essa é chamada de "Sintonia Mental".

                   A mente é ligada diretamente aos centros coronários (esferas), através dos Plexos e dos Chacras Assim, ela influên­cia e é influenciada pelo "Sol Interior", no movimento natural da vida, na dependência de todos os fatores que determinam a existência do Homem: tempo, espaço dimensionado, grau de evolução e fatores cármicos-transcendentes.

                   Nas sucessivas encarnações o centro coronário é manti­do, permanece e representa a Herança Espiritual de cada Ser Humano. Agora, tendo alcançado o grau Iniciático de nossos ensinamentos, temos aqui a explicação de fascículos anteriores, no qual afirmávamos que o sistema nervoso desencarnava junto com o Espírito.

                   Entendíamos então, que não eram as fibras ou as células, mas sim o “sistema", ou o "esquema" que seguia para o Plano Etérico, em torno do qual se formava o Corpo Fluídico do desencarnado. Não tínhamos ainda a revela­ção do Sistema Coronário; agora sabemos que o esquema do sistema nervoso é apenas parte integrante do Sol Interior e seu centro coronário.

                   A mente é proporcional e relativa ao Sol Interior. Isso significa que sua composição energética e seus instrumentos, são de conformidade com o estado em que o Ser se encontra. Desses "estados" nós só conhecemos três categorias: encarnados (nós os Homens), desencarnados ("mortinhos", espíritos que ainda estão a caminho no Etérico) e os "Espíritos de Luz" ou "Espíritos Santos" (que já completaram suas trajetórias Cármicas ou que já operam na Lei do Auxílio integrando as Falanges dos Mestres Planetários).

                  

 

               2  A função da Mente


                   O Sol Interior é o centro fisiológico, onde são elaboradas as mais variadas funções do Homem, onde se entrosam os mui­tos campos vibratórios que determinam o "esta­do" em que se encontra aquele Ser, individualizado e único. A mente é o centro de controle, o painel onde as comu­nicações são recebidas, computadas e emitidas. O sol interior trabalha na base do plexo inconsciente; a mente opera na base da consciência.

                   O sol interior é estrutural enquanto a mente é funcional.

                   No mecanismo da mente o EU é o núcleo em torno do qual giram as partículas, os ions, anions, cations e nêutrons mentais, à semelhança do átomo. É o "eu" que toma as deci­sões a cada segundo, com base nos dados fornecidos pelos satélites mentais devidamente elaborados.

                   Para o entendimento desse complicado sistema em que o "eu" é o elemento decisivo, nada melhor que a experimenta­ção do próprio leitor. Você mesmo terá que registrar o fato, uma vez que isso é impossível para nós que estamos fora de você.

                   Para ajudá-lo nessa observação e evidenciar a posição do "eu", vamos dar nomes às "coisas" que se passam na sua men­te. Prossiga na leitura e verá como esses elementos começam a aparecer numa conotação lógica e simples, coisas essas que você sempre ouviu falar ou leu como sendo abstrações, teo­rias, tais como raciocínio, razão, memória e etc.

                   O leitor irá notar que a palavra "eu" sempre aparece na sua mente como sendo a sua pessoa. Você pensa: "eu estou lendo", "eu não entendo", "eu não acho", "eu estou gostan­do", etc., etc., sempre o eu em primeiro plano.

                   Depois vem o "eles", as "coisas", os "outros", as "mi­nhas coisas", o "meu pensamento", etc., sempre algo de fora, sempre um universo em oposição ao "eu".

                   Conclui-se então que o "eu" está sempre no centro de tudo que se passa em sua mente, sendo ele, o seu "eu" o nú­cleo, a massa central do campo energético que é sua mente. A partir de agora, ao descrevermos cada uma das funções da mente, o assunto se tornará mais compreensível. A alimen­tação da mente vem sob a forma de impulsos e projeções, em ondas cujos padrões vibratórios indicam sua origem.

                   Uma vez recebidas essas mensagens são assimiladas con­forme nossa capacidade. Essa capacidade é relativa as nossas heranças registradas no centro coronário. Em termos de assimi­lação e emissão, a energia mental é um fenômeno vivo de improvisação.

                   É ela que altera e recompõe todas as energias do Ser Humano, modificando a cada momento o nosso estado. As alterações produzidas pela mente são imediatamente refletidas pela nossa "aura”, cuja coloração e intensidade vibra­tória refletem o trabalho da mente.

                   3              A Razão


                   A vida do Homem gira ininterruptamente em torno de dois pólos, um positivo e outro negativo, situação essa que só termina quando o Espírito se liberta inteiramente da sua orbe terrestre. Enquanto encarnado, ou desencarnado e "à caminho de Deus", ele a todo instante tem que tomar decisões, esco­lher entre duas ou mais opções. A escolha do caminho certo, a decisão com base no equilíbrio é que se pode chamar de razão.

                   Cada Ser Humano tem o seu ponto próprio de equilíbrio e, como conseqüência, tem a sua própria razão.

                   A vida entre­tanto é um movimento constante de equilíbrio, desequilíbrio e reequilíbrio, motivo pelo qual a razão não é um ponto fixo na mente, e sim, a meta que se move, o alvo que o Homem pro­cura acertar. O homem tem a cada momento de reajustar-se aos muitos fatores que influem em sua mente, e a razão, a deci­são equilibrada é que determina o índice de sua evolução.

                   Nem todos os fatores que influenciam a mente são conscientizados pelo Homem. O campo consciencional, onde o "eu" terá que se situar para a tomada das decisões, é limitado pela percepção sensorial. Na verdade a consciência do encarna­do é apenas uma janela, um painel que mostra cada vez uma parte do todo, uma verdade parcial.

                   Essa abertura da consciência – no sentido de saber-se – flutua, em termos de amplitude, dependendo dos fatores natu­rais da vida: idade, posição no meio ambiente e grau de respon­sabilidade que lhe cabe pelos fatores Cármicos, etc.

                   Temos assim, até este ponto, juntado dois mecanismos da mente que levam à razão: o equilíbrio e a consciência. Com­preendidos esses dois fatores, podemos partir para a compreen­são do raciocínio, e chegarmos ao mecanismo do pensamento, a última fase da mente que precede a ação.

                   4  O Equilíbrio


                   O Ser Humano é como o rio que corre tranqüilamente para o mar.

                   Nós estamos sempre ligados ao nosso princípio e ao nosso fim, assim como o rio está sempre ligado a sua nas­cente e à sua foz.

                   Em meio do caminho recebemos os "afluentes' ou seja, as influências que nos atingem de ambos os lados, na nossa "margem esquerda" ou na "margem direita".

                   A todos os instantes de nossa vida, nós podemos estar recebendo projeções de outras mentes, correntes negativas, boas ou más notícias, ou seja, a todos os momentos nós pode­mos nos desequilibrar. Nem sempre nós podemos afastar as coisas que nos desequilibram, mas sempre existe a necessidade do reequilíbrio.

                   É verdade que os fatos inconscientes, que atingem nossa mente, tanto podem ser positivos como negativos. Essa negati­vidade ou positividade nem sempre é intrínseca aos fatos, mas sim à maneira como eles são absorvidos e assimilados pela men­te. A conclusão que se chega desse mecanismo é que a mente é, em última análise, o campo visado, mas a responsabilidade é nos­sa, do nosso "eu", de que ela seja atingida ou não.

                   Se alimentamos a nossa mente com maus desejos, pensa­mentos de ira ou de ódio, cria-se em torno dela uma atmosfera fluídica pesada, de energias de baixo teor vibratório, cheias de impurezas; se, ao contrário, a alimentarmos com aspirações nobres e pensamentos elevados, a atmosfera da mente é lím­pida. Conforme pois for o condicionamento da mente, assim será sua capacidade de absorver e modificar as emissões, quais­quer que sejam elas.



                   Sob o comando do "eu" a mente pode recompor as ener­gias em todas as direções e reequilibrar inclusive o "Sol Inte­rior", feito isso ela se harmoniza no equilíbrio, estando pron­ta para novas tribulações.

                   Ao falarmos do equilíbrio, evidenciamos dois novos componentes que são as projeções e os fluidos que serão anali­sados nos itens subsequentes.

                   5              A Consciência


                   A consciência é o mecanismo abstrato da mente, de registro do que acontece a nós mesmos e em torno de nós. Em última análise a consciência significa saber o que se passa em torno de nós e conosco ou seja, ter a capacidade de "ver” e "ouvir". Como as outras partes do mecanismo da mente, ela tem o seu começo e cresce ou decresce conforme o seu desen­volvimento. Sua mecânica se prende ao processo de focalização e sintonia como nas lentes óticas e nos receptores de rádio, depende de ajuste focal e luz, etc.

                   Ela existe em maior ou menor grau, conforme o equilí­brio de nossa mente, e na proporção da responsabilidade que assumimos perante a vida. Conforme a posição assumida assim é nossa consciência, de acordo com a concepção que fazemos de nós mesmos. Até certo ponto a consciência é apenas um problema de condicionamento, de educação. Paulatinamente ela vai se tornando uma questão de auto-educação, e de traba­lho de nossa vontade sobre nossos mecanismos de relação. Se desenvolvemos nossa capacidade de reequilíbrio constante, teremos uma consciência permanente. Equilíbrio e consciência são dois pólos de nossa mente que trabalham sempre juntos.

                   Uma consciência equilibrada, é como um farol que ilu­mina tudo que chega até nós, e nos dá a justa medida das coi­sas para posterior elaboração da mente. Esse fato se aplica nos três planos de nossa vida, e de nosso grau de consciência ou inconsciência, dependem as constituições de nossas esferas co­ronárias e, por conseqüência, de nosso Sol Interior.

                   6  O Raciocínio


                   O raciocínio é o mecanismo analítico da mente que leva à formação do todo. É o exame das coisas que a consciência apreende e que permite ao "eu" a escolha do que deve perma­necer ou ser rejeitado. Raciocinar é colocar as informações, que a psiquê recebe, de forma ordenada segundo o critério aplicado ao objetivo que queremos alcançar.

                   O principal instrumento do raciocínio é a inteligência ou seja, a capacidade de aprofundar o exame dos componentes que chegam até nós através da consciência.

                   O raciocínio com a inteligência são instrumentos de veri­ficação; o pensamento é o meio de expressão, de manifesta­ção da nossa mente.

                   "Raciocinar” significa aglutinar, associar as idéias. Idéias são os impulsos, sensações, imagens, etc. revestidos de uma for­ma, uma concepção. De todos os mecanismos da mente é o raciocínio a parte mais ativa, mais atuante. É a expressão da mente.


                   Para que o Médium e leitor possa melhor se situar em torno da importância da mente em sua relação com o Sol Inte­rior, e compreender a si mesmo como o instrumento do Espíri­to, vamos recordar ligeiramente os itens anteriores deste Fascículo até chegarmos ao raciocínio e nele nos demorar um pouco mais.

                   Começamos no item 1 a descrever a mente como um campo energético isto é, energias concentradas num campo delimitado e sua relação com o sol interior, sendo ele a estru­tura e a mente o funcionamento; descrevemos no item 2 a forma desse funcionamento, destacando a posição do "eu" no seu mecanismo; em seguida, no item 3 passamos a falar da razão como o caminho da decisão, entre o processo de reequi­líbrio constante; explicamos então no item 4 o que signifi­ca o equilíbrio; a partir do tem 5 começamos a analisar o fenômeno da consciência, como fornecedora dos dados para o raciocínio, que vem explicado no item 6 e chegamos ao item em que abordamos o mecanismo do pensamento.

                   Assim, começamos com mente e seu funcionamento, passamos para razão, o equilíbrio, a consciência, o raciocínio e chegamos ao pensamento que irá fechar o assunto da mente. A partir de então poderemos saber como mentalizar, e como manter a nossa mente no padrão que quisermos, pelo conhe­cimento e controle do pensamento.

                   Pensar significa na verdade dar forma e dirigir todas as energias da mente para algum objetivo e é por ele que determi­namos o rumo de nossa vida. Embora ele se forme espontaneamente, conforme os estímulos que o alimentam, nós, o nosso eu é quem escolhe, aceita, rejeita, demora-se mais ou me­nos em torno deste ou daquele pensamento. Conforme eu "penso", isto é conforme o pensamento que eu escolho para pensar (ou demorar-me pensando) eu determino o meu pre­sente e preparo o meu futuro.

                   Pelo pensamento nós tecemos ininterruptamente a teia no centro da qual está a mente. Formamos assim uma verda­deira rede emissora e receptora, na qual a mente caminha no vai e vem quotidiano. As energias da mente dão a força do pensamento. Essa força será dispersa ou atingirá os alvos conforme controlamos a formação da rede.

                   Força é energia aplicada, em movimento, e isso significa que estamos agindo sempre na direção de nossos pensamentos. Como o campo vibracional do corpo e da Alma são mais lentos do que o campo vibracional em que se situa o pensamento, sempre estamos fazendo algo em que pensamos antes, mesmo que no momento da ação não estejamos pensando naquilo que estamos fazendo.

                   Antes de eu dobrar uma esquina o meu pensamento já a dobrou, antes de chegar a um destino meu pensamento já se antecipou e chegou lá. Isso significa que ele tem forma, é ener­gia em movimento; sendo energia ele atua sobre tudo em que é direcionado. Se eu dirijo o meu pensamento para o meu corpo, meu organismo acabará por ser afetado pelas energias que ele conduziu. O mesmo fenômeno poderá acontecer para onde quer que eu dirija o pensamento.

                   Como todos os Seres Humanos pensam, isso quer dizer que existe um relacionamento permanente entre as pessoas, à revelia de se conhecerem ou de se relacionarem no plano físico ou social.

                   Lembremo-nos do último item do fascículo VI:

                   "... pelo pensamento neste instante, vou controlar minha força vital-mental, e nenhum pensamento negativo poderá penetrar em minha mente..."

                   E teremos nesse exemplo uma idéia explícita de como funciona o pensamento.

                   Nos itens subsequentes procuraremos dar mais alguns elementos em torno do assunto, analisando a memória, os impulsos, a dúvida, a lógica, as tendências instintivas, os sentimentos, as vibrações, o sistema nervoso e outros itens que esclarecerão melhor nossa mensagem.

                   Feito isso, tendo fornecido ao Médium e leitor, os ele­mentos essenciais do mecanismo Humano, poderemos então entrar em considerações puramente doutrinárias e Iniciáticas, que são o nosso objetivo principal. Por ora o caro leitor terá que se acostumar à difícil tarefa de se conhecer e saber como funciona o veículo do Espírito que é o conjunto trino Plexo, Micro Plexo e Macro Plexo (Perispírito).

                   7  A Personalidade


                   No item 9 do nosso primeiro fascículo tecemos alguns comentários em torno da diferença entre a personalidade e a individualidade.

                   Vamos aproveitar agora o raciocínio do leitor, em torno do mecanismo humano, para ampliar um pouco a idéia de personalidade. O entendimento desse conceito irá constituir um verdadeiro alicerce para a construção filosófica, que o pró­prio leitor irá fazer.

                   "Persona" é o nome latino de um apetrecho teatral, uma máscara que os atores da Grécia antiga chamavam de "pros­ópon" (Projeção da face).

                   Os anfiteatros gregos eram enormes, semelhantes aos nossos campos de futebol ao ar livre. Naturalmente isso apre­sentava dois problemas sérios: o som e a imagem.

                   Por esse motivo os artistas gregos usavam a "persona" ou seja a máscara de contornos bem definidos que permitiam ao espectador distinguir o personagem representado de qualquer ponto em que estivesse; tais máscaras eram relativamente maio­res que as cabeças dos atores, formando um oco que amplifi­cava a voz do ator e delineava acentuadamente o personagem.

                   Esse sistema é usado até hoje nos teatros orientais que conservam as tradições. No teatro Chinês e no Japonês, Corea­no e etc. a mascara serve para dar voz soturna e cara feia ao vilão, voz fina e rosto bonito à heroína, etc.

                   Essa é a origem da palavra "personalidade" que significa radicalmente, a caracterização que determina um "persona­gem". Em toda representação, teatro, novelas ou cinema, os artistas "representam", isto é, procuram ao máximo de sua habilidade, com auxilio de ma­quilagem, roupas, disfarces, atitudes e gestos, corresponder ao "personagem" imaginado pelo autor da peça ou da estória.

                   Assim, o mesmo ator representa, conforme a estória e as circunstâncias, personagens diversos. O exemplo mais banal e mais ao nosso alcance está nas novelas de TV. Nelas nós já estávamos habituados com os atores e muitas vezes, ao contar um episódio a outra pessoa, nós usamos o nome do ator por não lembrar o nome do "personagem". Para completar esse exemplo basta lembrar ao leitor que muitas vezes nós ficamos sabendo como o ator é em sua "vida real", se ele é bom ou mau ator, se representou bem ou mal aquele ou este "personagem", distinguindo-o portanto dos personagens que ele tem represen­tado.

                   Temos então uma perfeita analogia entre a "individuali­dade" (o Ator) e a "personalidade" (o Personagem ou a perso­nificação).

                   Usemos agora essa analogia para começar a entender o problema das reencarnações em que o Espírito é a Individua­lidade e a nossa presente encarnação a personalidade.

                   A primeira precaução que devemos tomar, ao entender esse fato, é saber que o problema da personalidade e da indivi­dualidade não é tão simples como uma representação teatral.

                   Nós podemos saber quase tudo sobre um ator, onde nas­ceu, se estudou ou não, se teve uma origem pobre ou rica, etc., porém sobre o Espírito nós podemos saber muito pouco.

                   Para começar é importante que se saiba, que ninguém, nenhuma ciência, filosofia ou religião pode dizer "quando" e "como" foi criado o Universo ou a Criação. Nem mesmo a Terra que é um pequeno Planeta do Sistema Solar, a Ciência não tem meios de dizer "como" e "quando" ela foi criada.

                   Existe muita especulação, muita teoria mas todas esbar­ram nos mesmos problemas, principalmente na questão do tempo. A Ciência clássica, essa cujas teorias são explicadas nos livros escolares, estabeleceu certa contagem de tempo, certa divisão de "Eras" que nos acostumamos a aceitar como sendo o         "certo". Assim é que ouvimos falar em "Era Glacial", "Idade Geológica", "Nebulosa", "Era Paleolítica", "Era Megalítica" e etc. Conceitos que envolvem milhões e até bilhões de anos. Fora do âmbito científico, nas religiões antigas o proble­ma fica na mesma, embora haja algumas religiões que traduzem as coisas em termos de números, o que no fundo é tão aleatório, tão teórico como as afirmações da Ciência.

                   O problema se complica ainda mais quando se trata de determinar a origem da vida. Nesse ponto a Ciência é ainda mais emaranhada e mais teórica uma vez que ela só considera "Vida" as coisas que nós chamamos de natureza física.

                   Mas, mesmo sem poder determinar a origem do Univer­so, do Planeta Terra e da Vida, a Ciência se arrisca a determinar (e a cada período se corrigir) a origem do Homem. Nesse pon­to então as contradições se amontoam de tal forma que, teo­rias que eram aceitas como verdade até pouco tempo hoje são objetivos de galhofas dos próprios cientistas.

                   Em relação ao Espírito a Ciência não cogita de sua exis­tência, e até agora não existe admissão científica de que o espí­rito exista.

                   Para ela, a Ciência Oficial, o Espírito é apenas um componente do Ser Humano, um mecanismo abstrato, que se confunde com o sistema psicológico. Essa palavra "psicológi­co" deriva de uma palavra grega que significa Alma (Psyquê).

                   Assim, qualquer referência que se ouça ou se leia, quer sobre Alma ou sobre o Espírito, as duas palavras aparecem sem­pre como sendo a mesma coisa, a não ser que se trate de adje­tivação poética ou literária tais como "tenacidade do Espírito", "fortaleza de Alma", etc.

                   Mas, para nós do Vale do Amanhecer Alma e Espírito são considerados como coisas de naturezas diferentes: a Alma é o mecanismo psicológico que tem sua base física no sistema ner­voso, que é formada em cada encarnação, conforme a progra­mação para esse período de existência do Espírito na Terra. Nesse caso a Alma (como o corpo) é um dos instrumentos do Espírito. Assim, pode-se dizer que um Espírito tem um corpo forte e uma Alma impávida nesta encarnação mas, que teve um corpo fraco e uma Alma vacilante em outra encarnação, etc.

                   Naturalmente a pergunta que surge expontânea desta afirmação é: "Qual a diferença entre a Alma e o Espírito?"

                   Para evitar cairmos nas abstrações teológicas ou filosófi­cas vamos procurar dar aqui uma resposta que seja plausível e de relativa possibilidade de verificação, consoante a didática da Corrente do Amanhecer.

                   A percepção da diferença entre a Alma e o Espírito é uma experiência pessoal que qualquer pessoa pode fazer, independente da sua situação cultural ou escolar, na qual entram con­ceitos de valores, de tempo e o senso comum.

                   Comecemos por definir o conhecimento que temos da existência de nosso corpo. Nós percebemos o nosso corpo pelas manifestações que ele comunica a cada momento à nossa mente através dos sentidos. Assim nós sabemos quando é preciso comer, dormir, alterar as condições a ele proporcionadas e etc.

                   Em seguida passemos a separar dessas sensações as ma­nifestações de natureza psicológica, os fatos abstratos, tais como sentir afeto ou ódio, imaginar, raciocinar e etc. Percebe­mos então que esse mecanismo obedece aos estímulos que tanto podem partir do corpo como das coisas externas ao nosso corpo. Nas "coisas" externas são o nosso universo, o meio ambiente em que vivemos, representados por "coisas" e "pessoas".

                   Sabemos então quando a natureza de nossas sensações são de necessidade física ou psicológica. Para esse fim temos uma série de valores aos quais estamos condicionados: a gente toma café de manhã, almoça ao meio dia, janta à noite, etc. etc. A gente confia nos costumes de transeunte, de proteção da lei, da moral e etc., enfim, nós distinguimos com certa facilidade o que são fatos físicos e fatos psicológi­cos, embora os dois sejam inseparáveis.

                   Na nossa Pira na figura chamada "Presença Divina" exis­tem dois Triângulos, ambos com as pontas voltadas para baixo mas entrelaçados que simbolizam o corpo e a alma.


                   Outro ângulo que qualquer pessoa pode analisar, para distinguir o que é físico e o que é psíquico, é o fato de que nossos pensamentos e nossos intercâmbios vibratórios podem ser distinguidos: nosso corpo se move com muito maior difi­culdade do que nossa Alma. Na verdade é nossa Alma que vai em busca de nossas necessidades, nossos anseios, nossos impulsos e etc.

                   Sempre que nós temos sensações, impulsos, anseios, desejos e, tais estímulos nos levam a ações que não se coadunam com um principio de bom senso ou de lógica, quando as coisas pensadas e sentidas ultrapassam nossa com­preensão ou a compreensão do meio que nos cerca – os fatos chamados impropriamente de inexplicáveis podemos detectar aí a presença de nosso Espírito.

                   Essa experiência é tida por todos os Seres humanos da Terra e é a causa principal de toda criação religiosa ou doutri­nária. Em resumo nós sabemos quando as coisas partem de nosso corpo, de nossa Alma ou de nosso Espírito, pelo sim­ples fato de que, na maioria das vezes as coisas de nosso Espí­rito contrariam as coisas de nosso corpo e de nossa Alma ou, ao contrário, as coisas de nosso corpo contrariam as coisas de nossa Alma ou de nosso Espírito. Esse movimento em nosso campo consciencional é contínuo e os diferentes fatores se dis­tinguem pelo contraste, pela contradição.

                   A partir desse ponto, pela nossa própria experiência, nós vamos percebendo as nossas tendências, as inclinações que divergem das inclinações dos que nos cercam e, aos poucos va­mos distinguindo a nossa individualidade ou seja, um conjunto de tendências que forma um uno, um que não é divisível, um todo indivisível.

                   Essa individualidade representa um conflito permanente com o papel que somos chamados a representar na Sociedade, papel esse que é formado por uma série de conceitos e formas que fixamos à nossa revelia desde que fomos concebidos até que morremos. A maneira como envergamos essas "máscaras", essas "personas", nossos mecanismos de defesa, nosso esforço para sair dos padrões é que constituem a nossa personalidade.

                   A individualidade tem um impulso fundamental e trans­cendente, é a energia latente enquanto que a personalidade é a forma de expressão a energia do Espírito que tenta romper os grilhões da personalidade, é o artista que sobrepuja o papel ou o papel que afoga o artista.

                   O personagem ou a personalidade é relativamente previ­sível pois ela obedece a um roteiro, um enredo pré-estabelecido enquanto que a Individualidade tenta sempre romper em ca­minhos diferentes. O símbolo mais perfeito dessa luta (e dessa diferença) nos tempos modernos é um novo tipo de teatro que às vezes aparece nos palcos do Mundo em que os artistas fazem o que lhes dá na cabeça, sem ter que obedecer a roteiro algum.

                   Cremos ter dado assim um principio do conhecimento da constituição do Ser Humano, do Homem visto à luz da Dou­trina Crística. Mas esse aprendizado terá que ser aprofundado no conhecimento dos princípios atômicos moleculares e celu­lares desses componentes.



                   As heranças que formam o Centro Coronário ou Sol Interior, cada "centro" formado pelas moléculas defeituosas de encarnações anteriores – a origem das Doenças Cármicas – os caracteres hereditários das Famílias Espirituais – as afinidades psicológicas ou, ao contrário, as con­tradições de caráter na mesma família, etc., tudo isso terá que ser estudado por nossos Mestres com uma atitude científica pois somos "cientistas espirituais".


                  

Marcos Antônio de Souza – Adj. ANORO
*** Presidente ***